Abordagem qualitativa sobre o impacto da síndrome congênita pelo vírus Zika.

Em 2015, o Brasil passou por um surto de infecção pelo vírus Zika, um novo problema de saúde pública. Quando a infecção acomete mulheres durante a gestação, provoca a Síndrome congênita pelo vírus Zika, caracterizada por manifestações clínicas que incluem alterações neurológicas, oculares, auditivas, deformidades articulares e microcefalia.

As famílias atingidas ficaram expostas a uma situação que, naquele momento, era pouco conhecida. As grávidas infectadas não tinham nenhum conhecimento de como as infecções afetariam seus filhos. Naquele momento, existiu um sentimento de desamparo e incerteza, especialmente nos primeiros casos diagnosticados.

Diante disso, o nascimento de um filho com alguma condição crônica de saúde revela uma situação de fragilidade e sentimento de incapacidade pela perda do filho idealizado. É importante que exista um suporte emocional para que entendam a realidade familiar até que seja fortalecido o vínculo com o filho recém-nascido.

O estudo de Oliveira et al., realizado em 2023 utilizando uma abordagem qualitativa, revelou as experiências vivenciadas e as perspectivas para o futuro de 20 mães no estado do Maranhão diante do nascimento de um filho com microcefalia.

Os sentimentos e reações são influenciados por fatores como a personalidade, gravidade da deficiência, contexto cultural, a maneira como a doença foi descoberta e o nível de expectativa estabelecido durante a gestação. “Eu fiquei triste! Assim… porque quando tu tá grávida, tu idealizas as coisas. Mas não me arrependo de ter escolhido tê-lo, não”, disse uma mãe entrevistada. “Acabou tudo, tudo, tudo! Foi um choque. Foi um fim do mundo para mim! Nunca imaginei. Você está esperando uma criança 100%. Você tem que lidar com isso”, afirmou outra mãe entrevistada.

A criação de um novo vínculo pode ser um processo lento e doloroso em que a mãe renuncia ao filho idealizado e fortalece um laço emocional com o filho que nasceu, o filho real. Após construído o processo de aceitação e alcançada uma estabilidade emocional, fica mais fácil investir no tratamento da criança. Diante de tantas incertezas, as mães seguem apostando em uma evolução favorável dos filhos e revelam um olhar materno focado nas potencialidades da criança. Ao longo de toda essa jornada, evidencia-se a importância de profissionais de apoio preparados para uma orientação adequada. “Na hora, eu tive um baque, mas eu passei a saber o que ela ia precisar. Fui na internet, vi que ela precisava de fisioterapia, terapia ocupacional, essas coisas”, relatou uma mãe entrevistada.

“Tenho muita certeza, muita fé em Deus que ela vai viver uma vida normal. Eu já vejo ela andando, correndo, eu já vejo ela desenvolvida”, disse uma mãe entrevistada. Considerando todas as dificuldades sociais de acesso à educação e saúde, ter um filho com microcefalia impacta a qualidade de vida da família. Com o apoio de familiares e profissionais dedicados, é possível que exista um futuro cheio de alegrias e conquistas. Acreditar e enfrentar os desafios é o primeiro passo para vencermos esse problema de saúde pública causado pelo vírus Zika.

Fonte: https://doi.org/10.1590/1414-462X202331040210

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